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sábado, 25 de abril de 2015

O Estranho Caso do Cachorro Morto

O estranho caso do cachorro morto foi uma sugestão de leitura dada por Hermínio Sargentim em 2014, quando pedi sugestão de livro para ler com o 9°ano... Mas eu sou cabeça dura e só este ano que o comprei e me atrevi a ler. 


Já aviso que não é barato, mas adianto que vale a pena!

Um livro totalmente envolvente, por diversos motivos. Em primeiro lugar, é diferente de tudo, porque temos como narrador um menino de 15 anos, Christopher, que é autista... E vamos, por meio dele, compreender a forma com que ele descobre o mundo, entende o que acontece ao seu redor, o que pensa, como age, o que sente...

Muitos o tratam como um bobo, alguém incapaz de qualquer sonho... Porém, ele se mostra uma pessoa tão inteligente quanto qualquer outra...  Um apaixonado pela matemática, o que achei sensacional.

A matemática para Christopher é uma forma de escapismo da realidade, ela o acalma, faz com que se concentre, que não perca o foco... Ela está presente em diversos momentos, que mostram o quanto é racional e lógico, acima de qualquer coisa.




Muitos conhecimentos de matemática não fazem parte do meu domínio, mas compreendi a mensagem... (E ofereci como presente de aniversário a um grande matemático que conheço João Paulo, o qual, com certeza, compreenderá tanto quanto eu...)

Christopher é movido pela curiosidade e observação, o que vai fazer com que descubra os mais variados mistérios que envolvem o caso do cachorro morto (que dá nome à obra), entre outros mais que correspondem à própria história, sua identidade.
Penso em lê-lo sim com meus alunos, porque se trata de uma lição em muitos aspectos... Isso sem contar que nos faz compreender mundos diferentes, acreditar no que sonhamos e ter coragem de superar nossas dificuldades.

O livro nos oferece doses de mistérios e revelações que nos choca e nos faz querer saber mais e mais... e ao mesmo tempo não querer saber tanto assim...

Talvez o estreie como próximo livro nas aulas de leitura de 2015. O que acham?


SELEÇÃO DE TRECHOS...

"Ela me disse que eu deveria escrever qualquer coisa que eu gostasse de ler."  (Dica para quem dá aula de redação, para quem quer escrever...)

"Números primos são o que resta quando você já jogou fora todos os seus semelhantes. Acho que números primos são como a vida. Eles são muito lógicos, mas a gente nunca descobre quais são as regras, mesmo se passar o tempo todo pensando neles."



"Eu quero que meu nome signifique eu."

"Há somente uma coisa que acontece num momento específico e num lugar específico. E há um número infinito de coisas que não aconteceram naquele momento e naquele lugar. E se eu penso sobre alguma coisa que não aconteceu, começo a pensar sobre todas as outras coisas que não aconteceram."

"(...) Só estava reparando nas coisas e isso não é ser inteligente. É apenas ser observador. Ser inteligente é quando você vê como as coisas são e usa isso para fazer uma coisa nova.

"A gente sempre podia querer uma coisa mesmo sendo muito improvável de acontecer."



"(...) Não dou atenção porque não escuto o que as outras pessoas dizem e somente paus e pedras podem quebrar meus ossos."

"A matemática não era como a vida porque na vida não há respostas honestas no final."

"A avó tem imagens em sua cabeça, mas as imagens são todas confusas, como alguém que misturou um filme e ela não pode dizer o que aconteceu na ordem em que aconteceu, e assim ela pensa que as pessoas mortas ainda estão vivas e ela não sabe se alguma coisa aconteceu na vida real ou na televisão."

"Na vida, você tem de tomar muitas decisões e se você não toma decisões você nunca faz coisa nenhuma porque você passa o tempo escolhendo entre coisas que você pode fazer. Então é bom raciocinar por que você odeia algumas coisas e gosta de outras."




"Tem muitas coisas que são misteriosas Mas isso não significa que seja impossível explicá-las. É só que os cientistas ainda não encontraram a explicação."

"Tem vezes que as coisas são tão complicadas que é impossível prever o que vai acontecer, mas elas somente estão obedecendo a regras bastante simples."


"Um mapa é uma representação de coisas que de fato existem (...) Uma tabela de horários é um mapa do tempo."


"As pessoas acreditam em Deus, porque o mundo é muito complicado."


"As pessoas que acreditam em Deus acham que Deus colocou seres humanos na Terra porque são os melhores animais,  mas seres humanos são apenas mais um animal e eles se desenvolverão até gerar outro animal e aquele animal será mais inteligente e colocará os seres humanos em um zoológico, como a gente coloca os chipanzés e gorilas nos zoológicos. Os seres humanos pegarão uma doença e morrerão, e então haverá somente insetos no mundo e eles serão os melhores animais do planeta."


"Uma coisa é interessante porque a gente pensa sobre ela e não porque é nova."

"(...) Eu fui para o jardim deitar e ver estrelas no céu e me fazer insignificante."


"É melhor quando a gente sabe que uma coisa boa vai acontecer (...). É ruim quando a gente sabe que uma coisa ruim vai acontecer (...). Mas eu acho que é pior quando a gente não sabe se a coisa que vai acontecer é boa ou ruim."




Se já leu, deixe seu comentário...
Gostaria de ler?Fica o convite!
Até a próxima postagem.


sábado, 11 de abril de 2015

A CULPA É DAS ESTRELAS, não minha!

Minha postagem sobre A Culpa é das estrelas já estava pronta, mas, por algum motivo que desconheço, foi perdida, restando apenas a seleção de trechos feita anteriormente.. São pequenos problemas que enfrentamos quando contamos com a máquina... Ela, como tudo, tem também suas desvantagens.

Demorei para me entregar à leitura desse livro que é comentado pela maioria dos adolescentes que conheço, cujo sucesso é fato certo... E, depois de escutar a opinião apaixonada deles, em que uns chegam a ter camiseta, foto no plano de fundo do celular; e também de ouvir a opinião de outros leitores críticos que acharam de mal-gosto... resolvi que precisava fazer a minha análise, experimentar esse exemplar para ver qual o seria o gosto em minha boca.

Se tem um lugar para ele em minha estante, é ao lado de "O Morro dos Ventos Uivantes", pois envolve uma atmosfera tão escura e nos deixa um gosto tão amargo quanto o outro.

Evitei lê-lo por um tempo, quando soube que se tratava de uma doença... A sensação que temos é de que podemos tê-la a qualquer momento. Não posso dizer que senti prazer ao ler cada capítulo, embora tenha ficado envolvida na história... Mas a leitura causa um mal-estar.

Fiquei pensando, durante toda a leitura: o que fez com que esse livro fosse tão lido, tão adorado? O que tem nele que atingiu tamanho público?
Uma das hipóteses me fez pensar na tragédia... Como uma lição, que sem dúvida é, em que não devemos reclamar dos nossos problemas, que tem gente em pior situação... Que há problemas maiores e, muitas vezes, sem solução.




Triste é acompanhar a vida de adolescentes cuja morte os espreita...
É possível sentir até a dor que sentem, a angústia de não saberem como será o dia seguinte... Não que nós saibamos.... Mas há uma dose de desespero, de incerteza que mata aos poucos.


Apesar dessa realidade dolorida, eles fazem planos, sonham, vivem com humor (o que em algumas vezes me fez pensar que a doença é tratada com certa banalidade), tentam levar uma vida normal, fazem desafios, que funcionam como motivação.



E a Culpa é das Estrelas, porque eles não têm culpa de que a doença seja parte do corpo deles, de que tenham que passar por essa situação, conviver com a perda, pensar em uma despedida repentina... A culpa é das estrelas quanto ao final do livro que eles leem quanto da história de cada um, que, embora previsível, fica sem terminar de fato...


Gostei da presença do hábito da leitura nos protagonistas, a paixão por um livro que é citado durante todo a obra... Isso mostra a segurança que eles têm diante daquele relacionamento livro-leitor, que se configura como um momento de prazer, de paz, em que tudo está bem... Afinal é outra história que não a nossa, e, às vezes, é gostoso viver a vida de outras pessoas, pensar na trajetória de outros e deixar a nossa em silêncio por um tempo.



Dei risada ao realizar uma pesquisa na Internet e encontrar uma postagem dizendo: Uma aflição imperial e Peter Van Houten não existem.... kkkk Não custa nada checar.

Minha conclusão a respeito da leitura chega a contrariar a minha vasta seleção de trechos... São tantas frases marcantes, momentos intensos... Mas acredito que há muita coisa boa para ser lida, há histórias lindas, enredos surpreendentes que nos fazem sentir prazer...

Respeito a opinião de quem tem a Culpa é das Estrelas como livro de cabeceira, como romance inesquecível... Na verdade, admiro todas as pessoas que leem, principalmente quando são meus alunos... ou foram... Mas está longe de ser o meu predileto... E a culpa não é minha... A culpa é das estrelas!

Ainda não assisti ao filme, porque não me sinto preparada... Mas quero ver sim e fazer a minha análise... e me entregar ao filme, como qualquer pessoa. Porém tenho uma observação: quero assisti-lo de dia.

SELEÇÃO DE TRECHOS...


"Senhor, dê-me serenidade para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem parra modificar as que posso e sabedoria para reconhecer a diferença entre elas."

"Qual é a sua história?" (Boa pergunta.)

"A dor precisa ser sentida."

"Às vezes as pessoas não têm noção das promessas que estão fazendo no momento em que as fazem."

"Amar é cumprir a promessa mesmo assim."



"Era quase como se ele estivesse ali no meu quarto comigo, mas de um jeito ainda melhor - como se eu não estivesse no meu quarto e ele, não no dele, mas, em vez disso, estivéssemos juntos numa invisível e tênue terceira dimensão até onde só podíamos ir pelo telefone."

"- Talvez o.k. venha a ser o nosso sempre.
- O.k."

"Todo mundo deveria ter um amor verdadeiro, que deveria durar pelo menos até o fim da vida da pessoa."

"Se colocássemos as tulipas num vaso na sala de estar, elas seriam de todos. E eu queria que fossem só minhas." (Sei...)

"É preciso levar a vida com algum humor, da melhor forma possível."



"Você está tão ocupada sendo você mesma, que não faz ideia de quão absolutamente sem igual você é."

"Com este balanço seu filho conhecerá os altos e baixos da vida devagar e com segurança, e também poderá aprender a lição mais crucial de todas: não importa o quão forte seja o impulso, não importa o quão alto chegue, não será possível dar uma volta completa."

"O mais estranho nas casas é que quase sempre elas dão a impressão de que não tem nada acontecendo do lado de dentro, embora a maior parte das nossas vidas seja passada lá."

"(,..) Sei que o amor é apenas um grito no vácuo, e que o esquecimento é inevitável, e que estamos todos condenados ao fim, e que haverá um dia em que tudo o que fizemos voltará ao pó, e sei que o sol vai engolir a única Terra que podemos chamar de nossa, e eu estou apaixonado por você."



"- Vocês sabem o que Dom Périgon disse depois de inventar o champagne?
- Ele chamou os outros monges e disse: Venham depressa! Estou bebendo estrelas."

"O sol era uma criança pequena se recusando terminantemente a ir para a cama: já eram mais de oito e meia da noite e o céu ainda estava claro."

"Seria uma honra ter o coração partido por você."

"O mundo não é uma fábrica de realização de desejos."

"Alguns infinitos são maiores que outros."

"As personagens que nele habitam não possuem vida fora desses rabiscos. O que aconteceu com eles? Todos deixaram de existir no momento em que o livro acabou."


"Até onde eu sei, você pode escolher a forma de contar uma história triste nesse mundo."

"Não vou falar da nossa história de amor, porque, como todas as histórias de amor de verdade, ela vai morrer com a gente, como deve ser."


"Você não imagina o tamanho da minha gratidão pelo nosso pequeno infinito. Eu não o trocaria por nada nesse mundo. Você me deu uma eternidade dentro dos nossos dias numerados, e sou muito grata por isso."

"Sabe como eu sei que você é guerreira? Você chamou uma (dor de nível) dez de nove.
Mas não foi exatamente o que aconteceu. Eu chamei aquilo de nove, porque estava poupando o meu dez."

"Você vai viver uma vida boa e duradoura cheia de momentos maravilhosos e terríveis que você ainda não tem nem como imaginar como serão."

"Sem dor, não poderíamos reconhecer o prazer."

"A tristeza não nos muda. Ela nos revela."



"Nem todo mundo tem essa sorte de ser bom em alguma coisa."

"A ambição voraz dos seres humanos nunca é saciada quando os sonhos são realizados, porque há sempre a sensação de que tudo poderia ter sido feito melhor e ser feito outra vez."

"Ainda que o mundo não tivesse sido feito para os seres humanos, nós tínhamos sido feitos para o mundo."


"Não dá para escolher se você vai ou não vai se ferir neste mundo, meu velho, mas é possível escolher quem vai feri-lo. Eu aceito as minhas escolhas. Espero que ela aceite as dela."



Deixo aqui minha postagem talvez
polêmica. Deixe seu comentário!
Até a próxima postagem...

quarta-feira, 1 de abril de 2015

O Resgate de Nicholas Sparks

Nicholas Sparks nos apresenta no livro "O Resgate" um herói de nome Taylor, cujo ponto fraco estava em algum ponto de seu passado. 

Por que será que sempre gostamos com naturalidade das personagens criadas em cada romance? Como uma leitora mulher, passados uns capítulos, já quero encontrar Taylor, e até ouso achar que já conheço um...



Taylor é voluntário do corpo de bombeiros, e, em uma de suas atividades, conhece Denise, cujo filho Kyle tinha sumido após o acidente.
Tudo vai ficando mais grave, quando descobrimos que o pequeno menino de 4 anos tinha problemas de fala, que ele até ouviria algum chamado, mas dificilmente o responderia...

Denise é uma mãe solteira e batalhadora, que insiste no aprendizado do filho, anota todos seus progressos, estuda, descobre, redescobre formas, faz exercícios até a exaustão... A mãe é a melhor professora que Kyle poderia ter. Ela não desiste, está em tempo integral com ele, acredita, corre atrás e, mais do que ninguém, fica feliz com qualquer progresso.



Acho interessante que ela aceita o problema, não luta contra ele. Como professora e educadora já vivenciei várias situações em que o aluno apresenta algum problema relacionado à aprendizagem, que precisa de um acompanhamento diferenciado, mas a mãe não aceita, quer que seja tratado como os demais. Desse modo, ele não desenvolve seu potencial dentro de suas limitações, e o aprendizado fica comprometido.
A partir do momento em que a mãe aceita, ela não vai perder tempo lutando contra o problema do filho, mas trabalhando a favor, buscando formas de solucionar o problema ou parte dele e encontrando progressos dentro da limitação apresentada.



Como já era de se esperar, Denise e Taylor vão ser os grandes protagonistas dessa história e viverão uma paixão. Do mundo de Denise, destacamos o filho como personagem de importância; e do mundo de Taylor: sua mãe e seu amigo Mitch que também era voluntário no corpo de bombeiros.



O grande conflito do casal está relacionado ao passado de Taylor, uma culpa, como se ele não se permitisse ser feliz por completo devido a um acontecimento do passado que é, realmente, chocante.

O livro, como qualquer outro de Nicholas Sparks é supreendente, o enredo toma rumos que a gente nunca espera. Essa é a grande sacada do escritor que faz com que seja um dos meus prediletos.

É preciso ler para saber do que estou falando!
Fica o convite e a dica!

SELEÇÃO DE TRECHOS...

"De algum modo, prosseguir parecia mais seguro."

"O dia anterior fora típico de sua vida com ele. Um passo para frente, um para trás, dois para o lado, sempre um luta."

"A vida era como esterco. Quando usado em um jardim, o esterco era fertilizante. Eficaz e barato, nutria o solo e ajudava as plantas a ganhar toda a sua beleza. Mas fora do jardim - em um pasto, por exemplo - quando sem querer você pisava nele, o esterco era apenas um monte de bosta." (kkkkkkk Ri alto)



"Na vida, você vai conhecer pessoas que sempre lhe dirão as palavras certas nos momentos certos. Mas no final você deve julgá-las é pelas suas ações. São as ações, não as palavras, que importam."

"A distância pode arruinar a melhor das intenções."

"- Ele é que é seu amigo.
- Eu sei. E é por isso que sempre o perdoo."

"Dava a impressão de estar satisfeito no mundo que criara para si. Não ansiava por fama ou glória, não sonhava ficar rico, não era cheio de planos ambiciosos (...) E o que realmente importava eram as coisas simples."

"A omissão a deixava confusa."


"-Você pensou mesmo em tudo, não é?

-Eu não queria que você tivesse a chance de dizer não."

"Minha mãe sempre teve essa ideia de como minha vida seria e nunca perdeu a oportunidade de me lembrar (...). Só depois percebi que as coisas que ela dizia não eram para me reprimir, e sim para o meu próprio bem, para que todos os meus sonhos se realizassem."





"- Posso lhe dar um conselho?

- Posso impedir?"

"Havia homens que guardavam segredos e isso era um mau sinal para as mulheres que os amavam."


"Um herói morto continua morto."


"Uma coisa que aprendi é que, quando as coisas dão errado, dão errado rápido."


"E o mais importante, para onde estamos indo a partir de agora?"


"É claro que, quando se procura algo, a tendência é encontrar."





"- Você pensa no futuro?

- Claro, às vezes. Mas geralmente isso não vai além da próxima refeição.
(kkkk Gosto das tiradas...)

"Se as crianças tinham uma vantagem sobre os adultos, era a sua capacidade de perdoar."

"Amar alguém e ser amado é a coisa mais preciosa do mundo. Foi o que me permitiu seguir em frente."


"Ele a amava. Simples assim. E ela o amava."


"Uma família. Gostava do som disso."



Deixe seu comentário!
Próxima postagem...
Finalmente me entreguei:


domingo, 15 de março de 2015

Fala sério, pai!

Costumo ler livros por amor a eles e também pensando se servirão para serem trabalhados em sala de aula. Thalita Rebouças é uma que leio pensando nos adolescentes e não é nenhum esforço, sacrifício... Muito pelo contrário, é sempre divertido, prazeroso e, como qualquer outro livro, faz pensar, voltar no tempo...



O último que li dela foi da linha Fala Sério... Depois do Fala sério, amor; Fala sério, professor... Aqui apresento o Fala sério, pai.

Um lindo exemplar para dar de presente para quem vai ser pai, ou para quem já é pai... Que vai ainda vivenciar ou relembrar a época da troca de fraldas, primeiras palavras, artes feitas, até o crescimento desse bebê que vai se tornar adolescente e ganhar o mundo. Da barriga aos 21 anos de Malu, acompanhamos diversos momentos.


O que me deixou triste foi a mudança do foco narrativo. Até os 13 anos, quem conta a história é o pai de Malu... A partir dos 14 é ela mesma que assume o papel de narradora....
Esperei para ver se tinha alguma explicação no decorrer. Ate viajei pensando se com os 13 anos ela deixa de ser a filha do papai e passa a ser a dona da própria história. E acredito que seja mesmo essa a sacada... Ao reler, encontro uma frase por mim destacada: "sabia que em poucos anos eu passaria definitivamente para Malu as rédeas da vida, do mundo."

Como professora, crítica, não gostei da troca... Começou com o pai, vai com o pai até o final. Ouso dizer que, se Thalita Rebouças fosse minha aluna, teria que fazer a famosa reescrita! kkkkkk


MINHA SELEÇÃO DE TRECHOS...

"Não dava para usar a lógica naquele momento. Mulher é feita de outro material."

"Pais devem ser sábios e compreender que estão no mundo para dar apoio aos filhos. Sempre..."

"Esse negócio de amor não tá com nada. Amor é sofrimento, é cobrança, é ciúme. E amor acaba mal, sempre. Quantas tragédias não acontecem por amor? Olha Romeu e Julieta aí, que não me deixam mentir. Melhor nem começar, vai por mim." kkkkkk

"Cabeleireiro é igual a cardiologista e artista plástico, a gente tem que confiar e ser fiel a um só."

"Pai não tem medo de ser feliz. Não pode. Ver o sorriso de um filho é a maior recompensa e passar vergonha é algo em que a gente não pensa quando entra no mundo da criança."


"O mar deve ser tratado com respeito."

"Primeiras vezes são importantes. O primeiro sutiã marca a vida de uma menina como jamais nenhum homem é capaz de supor sem ter uma filha."

"Computador, a extensão do meu quarto, da minha vida."

"Para gostar de ler, basta se dar uma chance, arrumar um pretexto. E, quando, enfim, conseguimos, ganhamos companhia para a vida toda."

"Todos têm defeitos, inclusive nossos pais. E cabe a nós aprender a conviver com eles."

"O problema dos pais é não querer que os filhos cresçam, porque vocês vão errar, vão sofrer com os erros, e a gente vai sofrer dez vezes mais que vocês."

Até a próxima postagem!

sábado, 28 de fevereiro de 2015

PERDIDA por Carina Risse

O que falar de Perdida?

Perdidamente apaixonada por esse livro, que ganhei de presente no Natal da Márcia (leitora apaixonada)... com um bilhetinho carinhoso que me deixou animada, curiosa e feliz.


Posso dizer que, agora, também passou a ser um queridinho meu e agradeço por ter me apresentado à Carina Rissi e a esse exemplar tão diferente de tudo que li...
Obrigada, Márcia, por ter me escolhido e me surpreendido com esse lindo presente, que me fez sonhar!

Que livro mais delicioso... Trata-se de um conto de fadas da modernidade, escrito com a maior criatividade e doçura.

Sofia nunca tivera tido um amor de verdade, não acreditava realmente que seria possível perder o chão, entregar-se. Tinha uma vida sem grandes emoções, trabalhava bastante, morava sozinha, e contava com a companhia da melhor amiga que estava vivenciando um amor...


De repente, por meio da compra de um celular, Sofia viajou pelo tempo e ficou inserida em um cenário de 1830, com os costumes e hábitos da época....À princípio desesperador.... afinal, era uma mulher fora de seu tempo, desafiada a encontrar sinais para que pudesse voltar...

Mas foi, nessa transição, que Sofia fez descobertas, escolhas e viveu intensamente junto daquelas pessoas que passaram a ser uma espécie de nova família....

Fascinante o jogo entre passado, presente e futuro...  O passado que se tornou presente de Sofia, o presente que se tornou de algum modo o futuro, isso sem contar com a possibilidade de reconstrução, de voltar atrás, de recomeçar... Fantástico!


Como um conto de fadas mesmo, Perdida nos apresenta uma princesa que calça All Star (que nos faz até querer um...), um príncipe de fato chamado Ian, e uma história linda e emocionante com direito a fada madrinha, encantos, magia e muito amor!!!

Impossível não ficar PERDIDA de amores por esse livro!

Gostei até da explicação da escritora, quando mencionou sobre a data e a ausência de escravos em sua história.

"E, como no mundo do faz de conta tudo é possível - inclusive viajar no tempo através de um celular - eu simplesmente decidi que a escravidão nunca aconteceu."

E o melhor disso tudo é que o livro tem continuação...



MINHA SELEÇÃO DE TRECHOS...

"Sete anos seriam insuficientes para algumas pessoas se conhecerem, e sete dias são mais que suficientes para outras." Jane Austen

"Não se tem certeza de nada quando se está apaixonada."

Eu sabia disso, que toda essa baboseira de amor acaba assim que a rotina aparece. Que isso só servia para vender revistas e livros e que, na vida real, você sempre acabava sozinha com um buraco no lugar em que costumava ficar seu coração."

"Raro significa caro."

"Está na hora de começar a crer que existem mais coisas no universo além daquelas que os seus olhos podem ver. E finalmente começar a viver a sua vida! Você sempre a deixou para depois, esperando que ela acontecesse, mas nunca fez nenhum esforço para isso."


"Uma dama tão encantadora deve ser conduzida por um cavalheiro."

"Você está aqui agora. Por ora, este é seu lugar,"

"Como a vida podia ser surpreendente! Passava horas brincando de princesa, esperando que o príncipe viesse me buscar com seu cavalo e... De uma forma estranha, eu estava vivendo o meu faz de conta."

"Como eu bem sabia, na vida real, contos de fada não se realizam com frequência."

"Eu cresci! Aprendi que contos de fada só acabam bem nos livros."



"Era por ele que eu procurava - a vida toda - sem nem mesmo saber que procurava. Era ele que eu queria, de forma desesperada, para toda a vida. E era ele a minha jornada ali, minha missão."

"Não importa para onde eu vá nem quanto tempo passe. Vou te amar para sempre!"

"Deixá-lo sem fala era melhor que qualquer outro elogio."

"Eu também o amava, e não tinha culpa disso."

"Meus objetivos mudaram, não as dificuldades."

"Os momentos perfeitos que passamos juntos não eram importantes apenas para mim."




"Imagine que todas as pessoas têm sua outra metade e que, algumas vezes, passam por ela sem nem mesmo notar. Outras pessoas são mais atentas e as notam, têm a chance de escolher e podem ser felizes por toda vida."

"-Você abandonou toda a sua vida por mim?
- Não, Eu abandonei todo o resto para ficar com a minha vida!"

"Parecia que queria me dar o mundo! Ele só não entendia que já tinha feito isso quando disse que me amava pela primeira vez."

"Nada parecia tão certo como quando eu estava em seus braços."



Até a próxima postagem
Exemplar já lido
Logo, Blog em dia.
A leitura não pode parar.







sábado, 14 de fevereiro de 2015

Grito de Carnaval

Escrevo há um dia do Carnaval, porque sinto minha tradição roubada... Pode parecer egoísta da minha parte, sei, como todo mundo, do problema da falta de água, da dengue, da superlotação na cidade com o cancelamento do Carnaval nas cidades vizinhas...

Porém, desde que me conheço por gente, Carnaval para mim é  rua, trio elétrico... Meus pais sempre me levavam e era uma alegria. 


Lembro que existia um bloco que era todo mascarado, vestiam preto, carregavam caixões...e eu chorava. Daí vem meu pavor e trauma de máscara que dura até hoje. É algo que não gosto de forma alguma... Não combinava com Carnaval aquele clima mórbido. 


Mas logo depois, vinha ele - enorme, cheio de luzes... Tinha Rei Momo, moças todas vestidas... Era o Cremasco, sua esposa e suas meninas, que não eram tão meninas... Era festa, era Carnaval. 



Gostava da música alta naqueles quatro dias em que a cidade parava... Ficávamos perto de onde era a Pinus Bar (perto do Boticário hoje) e meu pai me levava atrás do trio, quando chegava naquela altura...
Não tenho foto desse momento, mas é claro em minha memória.

Dessa forma, todo ano nós comparecíamos, com ou sem fantasia... Cheguei até a desfilar... Nossa família sempre gostou de plumas, lantejoulas e muita luz. Era fanfarra da escola, roupa das balizas, brasão, estandarte, comissão de frente....

Meus pais junto de meus avós, quando pequena, produziam as fantasias, que me permitiam ser o que desejasse ou o que eles quisessem quando menina.... No começo, eles decidiam, depois, foram as festas à fantasia em que eu pensava com eles, e todos ajudavam na produção... boneca, gueixa, she-ha, cigana, mulher-gato... Isso sem contar quando me ajudavam a produzir algo para a escola, quando me tornei professora: máscara de ratinho, roupas para a folia de reis... E eles entravam sempre na farra...  colocavam chapéu, roupa, máscara... e sempre foi a maior diversão.





Com o passar do tempo, foi surgindo um grupo de amigos, amigas, namorados e fomos dominando a rua, ficando até mais tarde, dançando até no trio elétrico, descendo até o chão na brincadeira e na sensualidade... Mas meus pais sempre por perto... Nunca foram motivo de vergonha para mim, mas sempre companhia, segurança... E eles também se divertiam, dançavam, riam...



Quando comecei a brindar algumas doses de álcool, meu pai sempre experimentava para ver se estava forte e ficava de olho... Minha mãe nunca gostou...


Fomos juntos até o último Carnaval de meu pai aqui, quando ele tinha dificuldade para andar devido à falta de ar... Brincávamos que ele tinha que sair mais cedo para chegar há tempo... Mas íamos com ele, seguíamos o mesmo ritmo, sempre levando na brincadeira... e chegávamos a tempo de ver o trio subir e acompanhá-lo. 


Mesmo quando ele tinha que fazer hemodiálise, dormia à tarde e à noite estávamos lá... Até na terça-feira, quando a rua esvaziava, eu achava que não desceria, meus pais estavam prontos para o último dia de folia...


Meu pai falava que dava para sentir o trio elétrico, que batia forte no coração dele... Chegou um tempo que ele dizia que era alto demais, e eu brincava dizendo que ele estava ficando velho, porque sempre gostara....




Desde pequena este é o primeiro ano sem trio-elétrico... e sinto uma tristeza... É como se tirassem o protagonista de uma história, ficamos com o plano de fundo de confete e serpentina que praticamente nem existem mais... Como Natal sem Papai Noel, Páscoa sem coelhinho....

A gente subia na rua para ver o trio, ou escolas de samba que sempre foram uma paixão... É um ritmo que toca dentro... e sempre arriscamos um samba no pé até suar e arder a panturrilha... kkkk


Há algum tempo, Carnaval tem sido minhas primas e amigas, sempre minha mãe, dias de irmão, cunhada e sobrinhas que já caem na farra e há dois anos a saudade do velho Walter que nos deixou... Mas seguimos na rua com a certeza de que ele pula com a gente e também sente a mesma falta. Este vai olhar com estranheza e se perguntar: Cade o trio?Será que cheguei tarde? 


Não, pai, tiraram nosso Carnaval da rua, silenciaram o trio elétrico e vamos ter que fazer nossa diversão de outra forma... Aqui mesmo, como sempre passamos... longe da Bahia, das escolas de samba do Rio e São Paulo, e, de algum modo especial, terá que acontecer nosso Carnaval. Afinal, nós não podemos perder mais essa!

ESSE É MEU GRITO DE CARNAVAL!