De onde surgiu este exemplar? Se não me engano, da última Bienal em São Paulo, onde meu celular ficou para trás, e a história veio comigo.
O livro conta a história de Yasmin que conhece Sam quando vai em busca de flores para a festa de bodas de pérola dos pais (30 anos de casamento). Ela não se acha preparada para essa escolha, não acredita ter sensibilidade para identificar o arranjo ideal para este momento. Sam é que irá mostrar o caminho e, em meio a esse encontro ao acaso, nossa protagonista vai observar mais do que flores, mas irá perceber os diferentes significados do amor. Entre conversas, descobertas e emoções inesperadas, Yasmin embarca em uma jornada de autoconhecimento que transformará sua maneira de enxergar a si mesma, sua família e os laços que unem as pessoas.
Mesmo com o medo de iniciar um relacionamento - um sentimento que acredito ser comum a todos nós - existe a coragem de aceitar a transição entre ter o controle da própria vida e passar a compartilhá-la com outra pessoa. Afinal, amar também significa abrir espaço para o imprevisível, para a vulnerabilidade e para a construção conjunta de uma história.
A história entre os dois acontece da forma mais doce até o capítulo 5, sem nenhum obstáculo, o que dá certa preguiça de acompanhar o enredo. No capítulo seguinte eles se casam e seguem vivendo a vida perfeita.
Tudo desanda no capítulo 7. A mãe de Sam morre, depois o pai de Yasmin. O luto os une, mas os conflitos só crescem: a mudança de trabalho que leva Sam para Ipu, Yasmin engravida, eles retornam a Fortaleza e Sam parte. A perda inicial vira uma sequência de rupturas.
Quando Yasmin foi ao hospital para ver Sam, senti que eu a acompanhava, porque também estava no hospital acompanhando minha mãe devido à pressão alta. E ali, na sala de espera, eu também recebi a notícia de Sam.
A partir desse momento é que o enredo cresceu aos meus olhos e ganhou forma, significado. Junto de Yasmin, tivemos que encarar a realidade, dar sequência à vida, recomeçar. Há um quê de beleza em um recomeço, uma força sobrenatural que só pode vir de Deus que me fascina.
Todos os familiares ficam muito preocupados com a forma de nossa protagonista encarar o luto, o qual parecia um beco sem saída, um caminho sem luz.
Cada um tem uma forma de sentir e lidar com a despedida. Aproveito a oportunidade para abrir um parênteses sobre velório. Nunca gostei de entrar, de ver a imagem. Depois de tanta gente que se foi, acabei me acostumando a esse ambiente, mas ver a pessoa, aproximar-me, tocar... foge ao meu alcance. Não há mais ninguém ali, aquela imagem inerte não é mais da pessoa que conhecíamos. Ela deixa de estar ali e passa a viver dentro da gente. Assim que eu penso, e isso me conforta e me traz paz.
Mas, recentemente, ao me despedir de uma tia querida, tive a graça de encontrar o caixão fechado e pensei que deveria ser uma regra a ser seguida, devia ser parte dessa cerimônia. O momento se torna mais bonito e menos dramático. Não há aquele aperto de fechar o caixão, a despedida final. Que bom seria se cada um guardasse do seu ente a imagem em vida, de movimento, cor, e não da brancura, da opacidade, de uma maquiagem sem luz, de uma roupa que a gente sabe que não vai com a pessoa. O corpo material é da terra e para ela será devolvido. O espírito segue livre para a eternidade e há de ser recebido por outros que já fizeram a passagem.
Fecha-se esse parênteses. Mas ler um livro é também trazê-lo para realidade, significá-lo. É isso que faço no Blog, faço a minha análise, somo com a minha vivência e ofereço como reflexão para meu leitor, como dica de leitura.
Voltando à história, foi preciso que Melissa, com sua sensibilidade e amor de irmã, deixasse sua família de lado para que a resgatasse, para que a inclinasse para outro ponto de vista, mudando seu olhar, ampliando seu horizonte. Às vezes só quem está de fora consegue mostrar e acaba sendo a luz.
Melissa entrega a ela um caderno e pede para registrar os sentimentos, sugere que se apresente a ele, que o use como forma de se expressar. Lembrei da minha amiga Lucineia, que deste plano também seguiu viagem. Ela me disse uma vez para eu escrever, como se dialogasse com o homem dos meus sonhos, quando eu me senti perdida. A ideia era como desse caderno, para que eu me encontrasse e o encontrasse também. (Não cheguei a fazer.)
Depois disso, ela fará um plano de viagem com a irmã, primeiro à beira-mar, em contato com a natureza; depois para uma cidade de mais movimento, para que tenha contato com novas pessoas.
Aos poucos Yasmin vai encontrar o caminho. E nunca me esqueço do que uma professora de yoga muito querida disse uma vez: o caminho de volta para casa é para dentro. Yasmin vai percorrer esse caminho e vai se permitir amar mais uma vez. E, para quem acredita em coincidências, um homem que foi militar. Eu falo que às vezes a arte imita a vida.
E não pense, leitor, que será uma fase de alegrias e descobertas, mas também de desafios, provas, separações e decisões.
E, daquelas surpresas ao ler, de repente você se depara com um conselho que é uma oração: que diz mais à sua vida do que à personagem. Então você para, e entende os sinais. Como diz minha querida Regina, Deus é desconcertante.
"Apague as luzes, respire fundo algumas vezes. Deixe a mente descansar um pouco. Peça ao Criador que acalme seu coração durante o sono e que, se possível, mande respostas. Quero que pense no que você gostaria de saber pela manhã e, ao acordar, vai se sentir melhor e, talvez, saber qual o caminho a seguir."
E, no final da história, sabe o que acontece? Ela se despede do caderno, agradecendo por atravessar todos esses anos. E, mais uma vez, aparece uma situação semelhante a que eu vivi - eu também me despedi de minha agenda, que me dediquei por muitos anos.
Vale a pena a passar os primeiros capítulos e seguir com a história. No livro "A menina que roubava livros" diz na contracapa, quando a morte conta uma história, você deve parar para ler. Eu diria, nesse caso, que quando há uma amor, vale a pena ler a história e vivê-la também.
"Quando dois corações se encontram, eles apenas se reconhecem. E todos os caminhos sempre levarão a esse encontro."
SELEÇÃO DE TRECHOS...
"Flores têm personalidade. São seres vivos que alegram, perfumam, colorem e enchem de vida um ambiente."
"A amizade é assim mesmo: o amor mais puro, que existe em completa harmonia mesmo nas diferenças, entre pessoas com propósitos de vida distintos, porém semelhantes na alma e no coração."
"Eu podia dizer que era tudo bobagem, que não havia acontecido nada, mas sabia que não era verdade. (...) Não sabia nada dele, se tinha namorada ou se gostava de alguém. Eu não deveria criar expectativas."
(Quem nunca...)
- Pelo quê?
- Por tudo. Por você estar aqui, mesmo depois de um dia tão difícil, por me dar conforto, paz, alegria."














Nenhum comentário:
Postar um comentário