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terça-feira, 19 de julho de 2011

Água para Elefantes - livro de Sara Gruen

 Trata-se de um livro, cujo título nunca me chamaria a atenção, embora a capa seja muito bonita e a história surpreendente.
 Vou contar como comprei. Estava em Campinas com minhas amigas Cristiane e Vânia depois de um reencontro proporcionado pelos 70 anos do Curso de Letras. Então fomos ao shopping e lá fui eu para a Fnac. Vendo livros, pensei... Rubem Alves? Raros. Lançamentos? Caros demais... Eis que achamos esse em uma coluna de destaque e com o saboroso preço de 19,90. Unido a isso, lembrei do Marcelo me dizer que o livro era muito bom, que eu deveria ler um dia. 
Feito isso aqui está o livro, lido, grifado e concluído e com uma dedicatória das meninas na capa. Nós três compramos e deixamos mensagens como marca desse dia.


Comecei a ler o livro de canto dos olhos, aceitando com dificuldade a convivência com Jacob, lutando contra o ambiente do circo, sem muita afinidade com os animais. Mas, no decorrer dos capítulos, a entrega é inevitável...

O livro alterna duas fases de Jacob: quando é jovem, dedicado aos estudos, perde os pais e se entrega ao circo e ao amor de Marlena; e quando é velho, sozinho e esquecido em uma casa de repouso, a qual acho tocante, triste e me faz pensar em algumas fases da Bilia, minha avó...

Envelhecer não é fácil, mas Jacob carrega consigo uma história maravilhosa, uma luta constante pelo amor, pelas amizades, pelos animais, ou seja, pela vida. E isso tudo junto nos faz entender o subtítulo da obra: A vida é o maior espetáculo da Terra.

Jacob é um exemplo de recomeço, de humildade, pois ele retoma sua vida, busca um caminho e encontra o circo como sua nova casa e as pessoas que fazem parte dele como sua nova família. Dentre essas, algumas que recebem nosso desprezo, e outras que têm nossa imensa admiração.

E como não dizer do amor que sente por Marlena, mesmo sabendo que seria um pecado, mesmo tentando evitar, ele se envolve e batalha para protegê-la, pare tê-la em seus braços. E, em nenhum momento, somos contra a vitória do novo casal, pois compreendemos o que é amor e sabemos que ele simplesmente acontece.
Feliz observar que, apesar de todas as situações adversas, o amor vence. E acredito que seja esta a resposta que todos esperamos um dia na vida.

Por fim, deixarei algumas frases que selecionei, como hábito em todos os livros que percorro. Deviam fazer isso também, pois a obra ganha mais valor e torna-se mais nossa. Como diz no livro, os cavalos são uma extensão de Marlena: uma parte dela, eu diria que os livros são uma extensão de mim, e quem está com ele, de certa forma, está também comigo.

"Quando se começa a entender melhor a vida, a idade nocauteia suas pernas e arqueia suas costas."

"Perdê-la foi como ter sido partido ao meio. Naquele momento tudo acabou para mim, e eu não gostaria que ela passasse por isso. Ser sobrevivente é uma droga."

"Só me resta passar o tempo esperando o inevitável, observando os fantasmas do meu passado se agitarem em volta do meu presente insignificante."

"É tudo ilusão, e não há nada de errado nisso. É o que as pessoas querem de nós. É o que elas esperam."

"O céu, o céu - o mesmo, como sempre foi."

"Não sei como aconteceu - eu a puxei ou ela me procurou? - mas elas está nos meus braços e nós estamos valsando."

"Eu gostaria que o mundo parasse de girar, mas ele não para."

"QUANTO MAIS PERTUBADORA A LEMBRANÇA, MAIS PERSISTENTE A SUA PRESENÇA."

"Sinto as garras do pecado apertarem o coração."

"Luto contra um desejo ilógico de explicar a situação e sigo o meu caminho."

"Algumas coisas não mudam nunca."


"- Acho que é melhor você ir embora agora.
Eu a encaro por alguns segundos.
- Por favor - diz ela, sem levantar os olhos.
E então eu saio, embora todo o meu corpo grite contra isso."

"Achei que todos nós gostaríamos de um pouco de esquecimento esta noite."

"Mulher nenhuma no mundo vale duas garrafas de uísque! Por favor!" ( Mas eu garanto: eu valho mais que isso! hahahaha)

"Hoje uma nova era se inicia. Nada é impossível a partir desta noite. (Será que um dia vou dizer isso?rs)

"Preciso proteger meus pequenos oásis de felicidade."

"Eu a acaricio ligeiramente, gravando seu corpo na memória."

"Tenho medo de respirar e quebrar o encanto."

"-Quero ficar com você. Se você também quer isso, vamos dar um jeito.
- Nunca houve nada que eu quisesse tanto em toda a minha vida."

"Quando duas pessoas nascem para ficar juntas, elas ficarão juntas. É o destino."

"Eu cuido daqueles que cuidam de mim. E também daqueles que não cuidam. (hahahaha Essa é boa!)

"A vida continua na sua normalidade frágil."

"Um homem deve saber a idade que tem."

"Dou um passo de cada vez."

"Por nem um minuto sequer penso no que estou dizendo. É só abrir a boca e as palavras saem com facilidade. O alívio é instantâneo e palpável."

 Até o próximo livro: 4 vidas de um cachorro
Deixem comentários se quiserem.... São sempre bem-vindos e raros aqui hahaha






terça-feira, 5 de julho de 2011

"Não há silêncio que não termine" chegou ao final...

Terminei de ler meu livro "Não há silêncio que  não termine" e posso dizer que os dez capítulos tensos iniciais são apenas o começo de uma história que cresce assustadoramente, mostrando os terríveis acontecimentos de um cativeiro, as humilhações, o abuso do poder, as situações vergonhosas a que todos são submetidos, os castigos, as limitações, doenças, fraquezas etc. 
 

 Porém, por outro lado também vemos a capacidade do ser humano de criar laços, a força de superação, a garra, a fé, a coragem, o amor, e a confiança na vitória.


 Conheci junto com Ingrid, personagens marcantes como Lucho, Pinchao, Marc entre outros que aparecem na história compartilhando ou aliviando essa passagem tão difícil. E o pior de tudo ao percorrer 553 páginas é que se trata de uma história verdadeira, ou seja, cada etapa foi realmente vivida, se é que em muitas partes podemos chamar isso de vida.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O nascimento do menino Diabo: O meu pé de laranja lima

Tenho lido simultaneamente três livros, e não gosto muito, mas é questão de necessidade. Preciso preparar os contos para os alunos e me dedico à releitura das histórias. Na academia, leio "Não há silêncio que não termine", meu livro tenso, e esses dias li "O Meu pé de Laranja Lima" com a intenção de trabalhá-lo com meus alunos antes das férias. E é sobre este último que quero postar no blog.


O livro tem um título que nunca me faria parar a fim de lê-lo, mas recebi uma indicação e confiei nesta palavra. Não me arrependo, realmente o livro é incrivelmente... triste e lindo. E concordo, o livro deveria se chamar: O nascimento do menino Diabo. Teria medo, também não leria, mas chamaria mais atenção.

Não quero dizer muito da história, porque vou acompanhá-lo com meus leitores do oitavo ano, mas somente depois das férias...

Estou meio sem inspiração para fazer minhas reflexões, mas deixarei uma rapidinha sobre o livro:

Melhor parte: Quando Zezé se torna amigo de Portuga.

Pior parte: As verdades que são apresentadas tão cruelmente a um menino tão feliz, apesar de tudo, e inocente.

Uma frase feliz: "De pedaço em pedaço é que se faz ternura"

Uma frase triste: "Era difícil recomeçar tudo sem acreditar nas coisas."

Uma frase para refletir: "Não chore, meu filho. Você vai ter muito que chorar pela vida, se continuar um menino assim tão emotivo."

Um momento marcante: O Natal sem presentes

Uma lição: "A gente não deve tirar as ilusões de uma criança"

Uma personagem: Portuga

Por meio desta leitura, nós nos apaixonamos pelo mundo de Zezé, chegamos a odiar as pessoas pelos mesmos motivos que ele. E ficamos felizes quando algumas o protegem, como a irmã, Portuga e a professora. Também não se pode deixar de destacar o amor e o cuidado que ele tem com o irmão mais novo, sem contar seu pé de Laranja Lima, o Minguinho, o Xuxuruca, que se torna, por meio de sua imaginação,  uma pessoa compreensiva, sempre pronta a ouvi-lo e mergulhar no mesmo mundo que ele.

Sem dúvida um livro que nos tira inúmeras lágrimas pela dor que sofre, como já avisa o livro na primeira página: "História de um meninozinho que um dia descobriu a dor..." E com ele fazemos essa dolorosa descoberta...

Vale a pena acompanhar a vida de Zezé, seu modo inocente, suas conclusões diante dos fatos, a descrença em um Menino Jesus devido à situação em que vive, a falta de compreensão dos familiares, o jeito amigo, brincalhão. Com Zezé corremos pela rua, engraxamos sapatos, juntamos dinheiro, cantamos um tango, brigamos com aqueles que o maltratam, e nos apaixonamos por aqueles que reconhecem o seu imenso valor!

Agora, alguns trechos...

"Mas como eu não podia cantar por fora, fui cantando por dentro."

"- Por que você não aprende e não faz como eu?
- E como é que você faz?
- Não espero nada. Assim a gente não fica desapontado"

"Vamos dormir. O sono faz a gente esquecer de tudo."

"Você tem que saber que o coração da gente tem que ser muito grande e caber tudo que a gente gosta."

"A vida a gente não resolve assim de uma só manobra."

"(...) a vida sem ternura não é lá grande coisa."

Em breve, postarei sobre o livro tenso: Não há silêncio que não termine. E devo acrescentar... E livro que não termine hahahaha

Bom feriado a todos!

Autos antigos na cidade! Vale a pena conferir!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Dança dos Famosos, outra paixão...

Devo dizer que se há um programa pelo qual sou apaixonada é a DANÇA DOS FAMOSOS, edição 2011. Paro tudo para apreciar os passos, o ritmo, o compasso e sinto vontade de aplaudir muitas duplas.
Ainda é cedo para tomar partido...
Votarei nas 3 melhores das mulheres e dos homens, mas postarei um vídeo de cada categoria.
Milena Toscano, Renata Kuerten e Ellen Rocche

 Concordo com os jurados, os homens deram um show hoje e é difícil encontrar os três melhores. Eu consideraria quatro: Guilherme Winter, Nelson Freitas Miguel Roncato e Odilon Wagner.

No ano passado, minha favorita era Sheron Menezes que não saiu vitoriosa, mas que, em minha opinião, foi a que deu um show em todas apresentações.
Deixo aqui a apresentação da dança de rua que foi muito boa!

 Mas, não posso negar que nenhuma superou Paola Oliverira que, merecidamente, venceu a edição de 2009. Para mim a valsa foi perfeita!!! Sensação de que saiu de uma caixinha de música...



"A dança é a linguagem escondida da alma." (Martha Graham)

domingo, 29 de maio de 2011

Não há silêncio que não termine

Faz algum tempo que não deixo nada postado aqui...
Na verdade, estou  entretida com um livro muito extenso: Não há silêncio que não termine. E, ao contrário do último, esse livro não fala ao meu coração, deixa-me tensa, assustada com o horror que passa Ingrid Bittancourt em seu cativeiro na selva colombiana.
É um livro que deixa o leitor agitado, perturbado, esperando que termine a situação em que ela está inserida. Mas, pelo tamanho do livro, sentimos que todo esse drama perdurará por um longo tempo... Porém, se a intenção foi transmitir e compartilhar toda a situação com veracidade e emoção, ao chegar no décimo capítulo dos 82 que totaliza o livro, acredito que a missão já foi realizada com muito sucesso.
Parece que estamos com Ingrid tentando uma fuga, correndo pela mata, ou acorrentada, ouvindo ordens, pensando em tudo que ficou para trás e no que há ainda pela frente. Lemos em silêncio para, como ela, não sermos notados e evitando qualquer tipo de humilhação ou punição. Com ela nos tormamos coragem, temos vontade de gritar os medos, mas silenciamos e os enfrentamos, tornando-nos mulheres mias fortes e determinadas.
Vale a pena ler.
Era um livro que eu quis muito e estava esperando o preço diminuir, até que minha mãe me presenteou.
Gosto, em especial,  do título: Não há silêncio que não termine. Faz pensar, é sugestivo e dá ainda mais valor à obra.

Desde já, alguns trechos:

"(...) eu repetia para mim mesma "estou livre" e minha voz me fazia companhia."

"(...) media minha força e minha resistência, não pela capacidade de dar golpes, mas pela capacidade de recebê-los, como um navio que, apesar de fustigado pelas ondas, não afunda."

"Era só um desprezo necessário para comprovar que a crueldade daqueles homens e o prazer que tiravam disso não haviam estragado minha natureza, porque não tinham atingido minha alma."

"Há ordens que devemos obedecer, aconteça o que acontecer."

"O silêncio que se instalou entre nós era o fruto de minha determinação."

"A felicidade não é mais um sonho."

"Precisava ser forte, olhar em frente. Mas "em frente" era tenebroso. Minha boa estrela acabara de se extinguir."

"Betty não era seu verdadeiro nome. Todos os guerrilheiros tinham nomes de guerram escolhidos plo comandante que os recrutara." (Interessante... Qual seria meu nome de guerra?Rs)

"Estou só. Ninguém me olha. Finalmente, sozinha comigo mesma. Nessas horas de silêncio que adoro, falo comigo e rememoro. O passado, fixo no tempo, imóvel, infinito, se volatilizou. Dele nada resta. Por que, então, sofro tanto? Por que essa dor sem nome? Fiz o caminho que tinha estabelecido para mim e perdoei. Nao quero ficar acorrentada ao ódio nem ao rancor. (...) Meu barulho não me atrapalha, meu andar não intriga ninguém. Não pedi permissão, não tenho de me explicar. Sou uma sobrevivente!"

"Sou a única responsável pelas minhas contradições."

"Minha alma estava blindada."

"Acima de tudo havia o horror de perder a esperança."

"Refugiei-me no silêncio, magoada até a alma por sofrer esse destino que não me permitia sequer chorar à vontade."

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Amar - toque final do fantástico livro de Elizabeth Gilbert: Comer, Rezar e Amar

Terminei a terceira parte do livro "Comer, Rezar e Amar" e adorei., aliás, amei...
Recomendo esse livro para mulheres. Vão se identificar: fraquezas, lutas internas, objetivos, sonhos, preocupações, conquistas, persistência...

É um livro composto de trechos profundos, poéticos, mas de muitos recheados de bom humor

Em uma visão geral sobre o livro, posso afirmar que: 
* No começo, ela está pesada em todos os sentidos: não está feliz com sua vida, está angustiada, cheia de problemas, não encontra saídas. Carregamos com ela o peso da fase, que se mostra dentro e fora dela.
* Já na segunda etapa, Liz procura outros ares, luta consigo mesma e com seus pensamentos. Encontra momentos de paz, mas também se mostra persistente nos seus objetivos, o que nos faz lutar com ela.
* E, por fim, na terceira etapa, sentimos que nossa personagem, já tão querida, segue sua vida livremente, desprendida de medos e pendências passadas. Ela está leve andando sobre as águas, segura de si, confiante e vencedora.

E o texto termina da forma mais poética. Sua última frase é: "Attravessiamo", do italiano, "Vamos atravessar", presente no livro como a palavra que Liz mais gosta. Pode parecer coincidência, mas todas as etapas são realmente travessias e, dessa forma, atravessamos com Liz todas essas fases difíceis de perdas e ganhos, com a certeza de que nos tornamos pessoas melhores juntamente com ela.
Deixarei aqui alguns trechos:

"Você pode chamar boa energia com sorriso."

"Tenho tanto tempo livre que seria possível medi-lo em toneladas." (Adorei essa. Será que eu também tenho rs?!)
"(...) Quatro virtudes de que uma pessoa necessita para ter segurança e felicidade na vida: inteligência, amizade, força e poesia" 

"A felicidade é consequência de um esforço pessoal. Você luta por ela, faz força para obtê-la, insiste nela e, algumas vezes viaja o mundo à sua procura." 

"Cuide de seus problemas agora ou vai ter de sofrer de novo mais tarde, quando estragar tudo da próxima vez."

"Tratamento Infalível para a Cura de um Coração Partido - Vitamina E, dormir bastante, beber bastante água, viajar para um lugar bem longe da pessoa que você amou, meditar e ensinar a seu coração que isso é o destino" (Adorei, principalmente a parte da Vitamina E.)

"O amor é sempre complicado. Mas, mesmo assim, os seres humanos precisam tentar se amar. A gente precisa ter o coração partido algumas vezes. Isso é um bom sinal, ter o coração partido. Quer dizer que a gente tentou alguma coisa."

"Um dia tampouco é necessariamente composto de 24 horas; algumas vezes é mais comprido, outras vezes mais curto, dependendo da qualidade espiritual e emocional daquele dia." 

"Penso na mulher em que me transformei recentemente, na vida que estou vivendo agora, e em quanto eu sempre quis ser esta pessoa e viver esta vida, liberta de toda a farsa de fingir ser qualquer outra pessoa que não eu mesma. Penso em tudo que suportei antes de chegar aqui, e perguntou-me se fui eu quem empurrou para frente o meu outro eu (...)"
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 Deixo aqui meu luto e minha saudade por essa mulher fantástica  que conviveu comigo, abrigada em meus pensamentos e, do modo mais louco, em minha vida entre os meses de Abril e Maio.

Até o próximo livro ou qualquer outra reflexão que valha uma paradinha no Blog!